domingo, 10 de fevereiro de 2013

sem te tocar vives-me nas mãos














emergir do sono em que estou
pairar sobre a fisionomia do fogo
e dar-te um nome de água

mergulhar em ti
e apanhar-te o fundo,
o beijo em apneia...

escavar os dias de chuva
ao encontro da sua nascente,
todas as forças são poucas
para te dar de beber...

(diluído na fantasia construo a obra de vidro,
é o derreter da areia sobre os meu passos
quando quero propor-te o orvalho da noite
onde o acromo passado morrerá após o sono.)

nomear-te para os sonhos de papel
fertilizando o ciclamor
e em cada vermelhar cordiforme, abalar
o medo dos nocturnos corredores
onde as aranhas se recolhem no silêncio.

sem te tocar
vives-me nas mãos.




Nelson D'Aires 











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