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sábado, 13 de abril de 2013

não te sei perder
















quando recuamos
como o sol recua atrás dos montes distantes
não te sei perder.
é uma conclusão simples mas simples são
também os processos naturais: a chuva que cai
a flor que cresce.
e por vezes é preciso recuar
e alcançar o abrigo
como o pastor alcança a branda no meio da serra.
é preciso aguardar a noite e clarificar o dia.
porque a clarividência é um dom
como os regatos que serpenteiam a terra
o são para
os pequenos seres que os rodeiam.
e eu guardo-te e aguardo-te
como o sol se aguarda nas leves planícies
quando a noite se põe.




André Tomé
in Insula



















sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

lembra-te
















a lua está hoje a metade
lembra-te que às vezes
o meu coração também




André Tomé













domingo, 8 de julho de 2012

não estás























não te oiço e é como se me achasse dentro de um templo fechado.
o silêncio é a obra através da qual se descobre a memória
e à falta de toque, só o teu nome pronunciado e a fé na tua aparição
ilumina as arcadas.
a tua ausência tem-me o corpo vazio, falta-me o milagre da presença
poderia chamar-te deus
estás aqui latente
mas não estás.





andré tomé

















terça-feira, 9 de agosto de 2011

a contínua oração diária


























há palavras que te escrevo dispostas a suportar o peso da distância. são impulsos, quase sempre impulsos. quase sempre duas mãos a indagar o silêncio, a perguntar

à vida como se exercita o amor.
crio rumores que te chegam como um fio, um sopro
atrás do ouvido
onde te suspiro nomes, paisagens reunidas em livros de horas, onde te sopro orações
- a abóbada celeste, o teu coração.
há palavras que te escrevo que existem como um traço contínuo. como se o sentimento fosse demasiado vasto para invocar o silêncio, demasiado insistente para não responder à vida de volta.
invento as certezas do nosso amor, hoje digo-te uma certeza, amanhã outra e à hora de adormecer confesso-me
- hei de inventar a vida de volta
fazer da certeza um hábito. das palavras que te escrevo a contínua oração diária.





André Tomé