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segunda-feira, 1 de março de 2010

quase































quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

senão para escrever












 









«Trago-te debaixo da minha pele. Apanhaste-me desprevenido. Atingiste-me o coração, pecado meu. E agora é tarde para tudo senão para escrever. O teu coração tão branco a bater perto de mim. Embora o não ouvisse sei que estava lá.»






pedro paixão in ladrão de fogo










quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

a olhar o que os braços não alcançam

























Minha querida, as tulipas vermelhas que deixaste sobre a mesa estão a morrer, a perder a cor. A casa está vazia, inundada de silêncios. Espero que estejas a fazer as malas para vires. Mas podes chegar sem malas, despida por fora ou por dentro. Gosto de ti com caracóis e sem caracóis. De chapéu e sem chapéu. Adoro sobretudo a maneira como dizes o meu nome que só a ti pertence. Não gosto nada de ti quando és má. Tu só és feia para me recordares a tua exímia perfeição, o contorno das tuas ancas violentas. Para poder ainda gostar mais. Minha miúda pequena, vem. Os passeios junto ao rio sem ti não são os mesmos. Faltam os demorados passos, as súbitas paragens. É por isso que estou quieto, a minha inteligência pousada sobre as mãos a olhar o que os braços não alcançam. Vou ficar assim até tu chegares, tapando-me a vista com o fogo dos teus dedos, a cicatriz aberta a meio do corpo.










pedro paixão, mensagem in o mundo é tudo o que acontece












sábado, 7 de novembro de 2009

Julgava eu que era a maneira mais segura de te prender a mim














«Eu não parava de falar. Narrava minúcias biográficas, lembrava teoremas de geometria, dizia-te os nomes das árvores. Eu queria dizer-te tudo. Tudo o que sabia e tinha aprendido durante anos talvez ainda servisse para alguma coisa. Julgava eu que era a maneira mais segura de te prender a mim porque uma coisa pede outra, uma palavra pede outra palavra, uma história outra história, um fim outro fim. E enquanto não terminasse tu ias querer saber o resto.»

pedro paixão







terça-feira, 20 de outubro de 2009

por vezes é preciso esquecer










«(...) Por vezes é preciso esquecer para poder continuar. Esquecer, ou pelo menos afastar para um lugar onde não andem à solta, fazendo estragos, provocando sentimentos à deriva, experiências que nos fazem temer que não somos nós que temos mão sobre a vida, mas ela que tem a sua mão sobre nós.(...)»


pedro paixão in «a cidade depois»

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

as frases caem no chão desfazendo o sentido






«(...)A angústia não é senão isso, o pavoroso medo do que inteiramente ignoramos, o medo no núcleo do medo. Aqui nenhuma ciência, por mais exacta, ajuda. É risível esperar o que quer que seja do que tenha peso e medida e seja sujeito à universal gravidade. Torna-se difícil resistir a uma qualquer superstição, a uma qualquer mentira, um desculpável conforto. Quase esquecemos que ignoramos de onde viemos, obcecados em saber para onde seguimos inexoravelmente, a morte com as suas garras de fora. Mesmo o crucificado se sentiu desamparado, quanto mais nós que cometemos tantos ridículos crimes, inúteis pecados contra outros e nós próprios, tanta vaidade. Sentados à volta de uma mesa quadrada, uma garrafa bebida até meio e um cinzeiro sujo, as frases caem no chão desfazendo o sentido. (...)»
in o mundo é tudo o que acontece

sexta-feira, 31 de julho de 2009

apago todas as mensagens. menos as tuas - pedro paixão





Apago todas as mensagens. Menos as tuas. Guardo a tua voz em pequenas doses e, dia sim dia não, ouço-as todas de seguida. Sinto-me demasiado incapaz para falar contigo o que quer que seja. Não sei onde estás. Não quero saber. Tenho medo de saber mais do que sei.

Uma dor de cada vez basta.

in saudades de nova iorque