Mostrar mensagens com a etiqueta sophia de mello breyner andersen. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sophia de mello breyner andersen. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Há mulheres que trazem o mar nos olhos














Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
... Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma.




Sophia de Mello Breyner Andresen







quarta-feira, 19 de maio de 2010

Porque eu cheguei e é tempo de me veres















Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.



Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.









Sophia de Mello Breyner Andresen









quinta-feira, 1 de abril de 2010

Aqui, deposta enfim a minha imagem




 



 


























Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nús, em sangue, embalando a própria dor
em frente ás madrugadas do amor.

Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e que é passagem.
No interior das coisas canto nua,

Aqui livre sou eu - eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos actos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei,
E em cujo amor de amor me eternizei.















sophia de Mello Breyner andersen