Mostrar mensagens com a etiqueta xilre. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta xilre. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

E existes tu
















Há talvez um verso que não volte a encontrar, 
há talvez uma palavra que não volte a dizer, 
há talvez uma cor que não veja jamais, 
há talvez uma árvore em que não toque de novo. 

E existes tu, 

que sem encontrar, encontro, 
sem dizer, digo, 
sem ver, vejo, 
sem tocar, toco. 

A cada dia, a cada hora, a tua ausência se adentra mais em mim. 

Um dia, ela será eu. 

E eu, ser-te-ei.
















quarta-feira, 7 de outubro de 2015

no nada, tudo




















foi no eufrates a primeira vez.  decidiram os deuses que a segunda fosse no avros. a terceira, no volga. 
entre cada hora, cem anos decorrem. 
ele reconhece-lhe o olhar. ela, o sorriso. 
escoados na  areia do tempo, movidos nas rotas dos homens, descobrem, com espanto, com incredulidade, com maravilha, naquele encontro secular, a imortalidade do que têm. 
no nada, tudo. 
no instante, a eternidade.




xilre

















domingo, 28 de junho de 2015

saudade
























as pétalas brotam 
das flores 

a minha saudade 
de ti























quinta-feira, 28 de maio de 2015

a minha ciência é moldar sonhos




















Terei que começar pelas palavras, sei que estão contigo, por isso me faltam. De ti guardo um cabelo que moldei de um fio de sol, um sorriso que encontrei na curva de uma onda, o aroma, extraído da fragrância de uma pétala. Por ti, busco na ciência o modo de te reconstruir a partir do que tenho — não encontro, não há elixir, processo ou encantamento. Para te recriar, crio uma ciência, a da ausência. Transformo as minhas horas de viver em horas de sonhar — a minha ciência é moldar sonhos. Neles, replico cabelos, sorriso, aroma; neles, as imagens em mim, tornam-se a matéria de ti. Na minha ciência escôo as horas, olvido a ausência, ofusco a saudade. E luto, a cada hora, luto, a cada minuto, luto, contra o maior inimigo de mim: despertar.










xilre






















sexta-feira, 27 de março de 2015

E eu, eu todos os dias morro, ao fim da tarde.
























É ao fim da tarde que morro. Agrada-me terminar negro contra o céu ensanguentado do ocaso. Ouvir a vida a estilhaçar-se no chão: tantos são os fragmentos que serei irreparável quando me encontrarem de cara mascarrada. Os olhos abertos na terra. Olhos inúteis, desde que roubaste as cores, quando te tornaste ausente. Porquê continuar a respirar quando me saqueias o azul? Eras tu que me pintavas, recordas-te? os sóis no olhar, em pinceladas de oiro líquido. De manhã, alongavas-te na tela da íris com mãos finas como filamentos rendilhando a luz. À noite oferendava-te as imagens da prata do rio, que amealhara para ti: assim as guardavas. Tudo distanciaste contigo, agora. E eu, eu todos os dias morro, ao fim da tarde.