UM DIA FELIZ
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Há uma semana relembrei, aqui, a morte do meu filho mais velho, o Miguel.
Hoje, falo da alegria por comemorar o dia 1 de maio, data do seu nascimento
e q...
NOTÍCIAS DO CIRCO
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*O povo e os trabalhadores sobrevivem apertados pela inflação e o custo de
vida.*
*Luís Montenegro, com aquele sorriso sem nome, admite, para já, que não...
jack gilbert / o vale abandonado
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Sabes o que é estar sozinho por tanto tempo
que sais a meio da noite
e enfias o balde no poço
só para sentires algo lá em baixo
a puxar a outra ponta da...
José Corredor-Matheos (Mark Rothko sabe ver)
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(IX)
Mark Rothko sabe ver
las cosas como son:
un resplandor sin cuerpo,
vivo color al borde
de las sombras.
Coge el pincel y deja
que arda el rojo,
...
camarada...
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*Nenhum ruído no branco. *
*Nesta mesa onde cavo e escavo *
*rodeado de sombras *
*sobre o branco *
*abismo *
*desta página *
*em busca de uma palavra *
*es...
5L
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De 5 a 10 de Maio vai acontecer em Lisboa mais uma edição do festival
Literário *5L*, desta vez com curadoria do escritor, crítico e comentador
Pedro Mex...
Cinquenta metros
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Há quem conduza como se estivesse sempre atrasado para salvar a
civilização. Não sei se era o caso de Cavalheiro do Porsche, mas foi essa a
impressão que m...
A MINHA MÃE FAZ BACKUPS DE MIM
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A MINHA MÃE FAZ BACKUPS DE MIM A minha mãe faz backups de mim em
estórias que não reconheço e eu guardo-a em rascunhos que nunca envio. No
fim, desinst...
o que todos gostamos mesmo
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enquanto a minha amiga luta ferozmente pela sobrevivência num hospital
longínquo, o homem que rega o talhão ao lado do meu na horta comunitária
po...
Soubesse eu ...
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Soubesse eu escutar a voz do vento
Quando palavras me sussurra ao ouvido
Saberia que a voz timbrada do tempo
Me diz que amar-te faz todo o sentido
.
Sou...
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Se não nos dão mais, do nada ainda
arrancamos um escarro, cuspimos-lhes
em cima, ah, já nos sabe a qualquer coisa,
serve, pomo-nos à escuta, o menor som,
es...
Gato Azul, de Hagiwara Sakutaro
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Poema de Hagiwara Sakutaro (1846-1942), poeta japonês, da sua colectânea
com o mesmo nome Aoneko (Gato Azul) de 1923. GATO AZUL É bom amar esta bela
cidade...
PELE DE PAREDE
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Os azulejos de Gilberto Renda são pele de parede,
Os painéis de madeira, nas salas da preciosa Vila Idalina,
Os antigos papeis de parede da Casa Vermelha,
Os...
Tragédia no Mar
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"Tragédia no Mar" é a denominação do feliz grupo escultórico de José João
Brito, visto aqui na tarde de hoje. Inspirado numa tela de Augusto Gomes, o
monum...
No meio do ruído das coisas.
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Duas despedidas tristes: a de Paulo Tunhas (1960), filósofo, cronista,
poeta, professor; e a de Luís Carmelo (1954), romancista, professor, poeta,
ensaís...
CARLOS POÇAS FALCÃO
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[TODOS OS DIAS VIAJO PARA A CULPA]
Todos os dias viajo para a culpa.
É lá onde trabalho, movendo e removendo
juízos e vergonhas, vergando-me nas margens
do...
ninguém conhece o infinito
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A culpa é tua se dizes sempre
o mesmo nome
se tens sempre a mesma idade
e a mesma casa, se quando
revelas a tua identidade
é impossível que o céu te explud...
FATIADA
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Era o céu inteirinho que chovia, como se fosse castigo, alagando tudo em
redor.
Como se o mundo se aglomerasse para chorar, acotovelando-se na visão
catas...
Que seja eterno
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Mas de nenhum destes modos te sei amar, tão fraco ou inábil é o meu
coração, de modo que, por o meu amor não ser perfeito, tenho de me
contentar que seja e...
Uma Alma Inquieta
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Eu sabia há três anos que Ela me viria bater à porta a qualquer momento,
mas não sabia como seria informado da sua chegada.
Desde Maio que peço, quase dia...
sem que ele note
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tão longe vai o tempo em que ele morria em mim. acontecia aos poucos, a
imagem dele a querer fugir do meu peito, ele a ausentar-se lentamente dos
meus ...
Tempo
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Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era
encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A
gente ...
É isto o Amor
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Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é ma...
Pó dos Livros
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Setembro de 2007, abrimos as portas, e já nessa altura planava sobre nós o
abutre. Nunca passava para cá da linha da porta. No entanto, rondava de
perto...
Más poemas de Levertov (según ST)
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Photographer unknown, provided by Jan Wallace, The Project Room
*i*
Él recoge botones de vidrio del fondo del mar.
Las branquias de la mente palpitan en...
Burrinho
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Fui à procura de um caderno para escrever. Volto a ter vontade de
escrever. Não quero, não sou capaz, de escrever frases, textos, quero
apenas apontar as ...
o escritor enquanto cão-guia
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Grassa, em lusas terras, já há algum tempo, o paradigma do escritor como
«cão-guia». O leitor ou leitora, pitosga ou mesmo ceguinho deverá ser
levado pela ...
tomorrow never comes (III)
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Tentava escrever
o esboço - vestígio do corpo,
a macia semente do vento
a traço de giz
da cor do barro, da cor da nuvem carvão;
acontecia o espinho, o p...
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Um corpo sem véu, despojado do barulho do mundo. Apenas o grão da pele para
o vestir. Um corpo nu, imóvel e cheio de estorias caóticas e cicatrizes.
Um co...
Saídas a dois
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Estava tudo combinado para aquele final de tarde: saía do trabalho direta à
escola, entravamos juntos no carro, sorridentes e enamorados, e seguíamos
para...
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demasiado depressa o silêncio
de braços inertes
não consigo alcançar-te
ou olhar-te sequer
nem colher a tempo tudo o que devia
(tudo o que julgo que de...
Carta a Paris 16 de Março de 2015
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16 de Março 2015
10:07
Está frio. O céu, imenso e de um cinza quase branco, leva-me os sentidos e
a minha vontade. Ainda assim decidi ir a Paris, onde te...
1930-2015
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não chamem logo as funerárias,
cortem-me as veias dos pulsos pra que me saibam bem morto,
medo? só que o sangue vibre ainda na garganta
e qualquer mão e ...
SANTO ANTONINHO DOS ESQUECIDOS
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* para o José Carlos Soares*
O esquecimento tem portões
fechados e velas a acordar
o crepúsculo enquanto o vento
sop...
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Vestiu-se de nevoeiro e foi dançar
pés de musgo
mão na anca e outra estendida no ar
gotas de chuva mansa no olhar
um peso leve
acariciando a terra húmida
em...
Espaço : se alguém disser que morri...
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Robert & Shana Parkeharrison
*se alguém disser que morri, avança até à varanda do céu,*
*escuta a noite e recolhe o meu corpo da espuma dos planetas.*
*nã...
...mas não faça férias de você!
ResponderEliminarResista. Resista!
!@
Um beijo, pelas férias.
Outro beijo, pelo domingo.
E mais um, pela resistência.
epee, repito
ResponderEliminar'É tão difícil guardar um rio
quando ele corre
dentro de nós.'
resistiremos, pois, espero.
as férias, são cá dentro, o trabalho continua. e sabe? acho que ainda bem que continua.
abraçoGrande
Bom domingo, Paula.
ResponderEliminarbom domingo epee e obrigada por ser, assim.
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