antónio osório / catorze de março
-
Catorze de Março, dia de teus anos.
Nascentes cachos de uva, glicínia,
vestígios da olaia, multidões de ervas.
Mondo as primeiras sobre a sepultura
e c...
Lembrar o sonho e, SORRIR
-
Não sei se algo de bom, já perdi
Nesta fantasia, que vive comigo
Sei que todos os dias penso em ti
E todas as noites, sonho contigo
..
Não sei se é só u...
MÚSICA PELA MANHÃ
-
*Algures, Van Gogh, deixou escrito:*
* “Não tenho a certeza de nada, mas a visão das estrelas faz-me sonhar.” *
*Dentro da minha ignorância sobre tanta ...
(des)encontros...
-
*Persigo-te como os gatos vadios se perseguem nas grandes sombras da *
*cidade. E afasto as pedras e bebo, da água que deixaste para trás, *
*o teu cheiro ma...
Paraísos artificiais
-
Um dia voltaremos aos blogs em busca de escrita imperfeita, com arestas
vivas e remates abertos, de minudências escritas tanto com os dedos como
com a alma...
Ricardo Ribeiro - Amanhã
-
*Estas noites sempre iguais duras de mastigar*
*Entre dentes e punhais no vazio que por vezes me dás*
*Noite o teu tempo é canto passageiro*
*Fome de...
Excerto da Quinzena
-
*Vejo o primeiro cadáver de um assassinado aos oito anos, ao voltar para
casa, vindo da escola pelo exato percurso que estava combinado com os meus
pais:...
A Agonia do Homem Ocidental
-
A expressão *agonia do homem ocidental* refere-se à sensação de crise
cultural, espiritual e moral que muitos pensadores identificam na
civilização ocide...
Francisco Duarte Mangas (Macela)
-
MACELA
brevíssimos sóis dos muros
vivem em cardume
observando a estrada
a sua resistência é infinita
que o digam os antigos cantoneiros
no iníci...
Manhã
-
Quando levanto os olhos do telemóvel vejo que o dia nasce à minha frente, o
altar espera que uma vela lhe seja acesa, e os jarros murchos pedem que,...
-
Este coração está pago, não pediram
tanto pelos cornos que arrasto
com crescente orgulho, depois do embaraço
que coroa se fez ao enredar-se nos dias
ouve a...
P de "Pássaros de acaso" (II)
-
JACINTOS
Os teus jacintos ainda estão vivos
E o sopro da morte
é um voo de pombas no céu de janeiro.
André Pieyre de Mandiargues
Gato Azul, de Hagiwara Sakutaro
-
Poema de Hagiwara Sakutaro (1846-1942), poeta japonês, da sua colectânea
com o mesmo nome Aoneko (Gato Azul) de 1923. GATO AZUL É bom amar esta bela
cidade...
PELE DE PAREDE
-
Os azulejos de Gilberto Renda são pele de parede,
Os painéis de madeira, nas salas da preciosa Vila Idalina,
Os antigos papeis de parede da Casa Vermelha,
Os...
Tragédia no Mar
-
"Tragédia no Mar" é a denominação do feliz grupo escultórico de José João
Brito, visto aqui na tarde de hoje. Inspirado numa tela de Augusto Gomes, o
monum...
No meio do ruído das coisas.
-
Duas despedidas tristes: a de Paulo Tunhas (1960), filósofo, cronista,
poeta, professor; e a de Luís Carmelo (1954), romancista, professor, poeta,
ensaís...
CARLOS POÇAS FALCÃO
-
[TODOS OS DIAS VIAJO PARA A CULPA]
Todos os dias viajo para a culpa.
É lá onde trabalho, movendo e removendo
juízos e vergonhas, vergando-me nas margens
do...
ninguém conhece o infinito
-
A culpa é tua se dizes sempre
o mesmo nome
se tens sempre a mesma idade
e a mesma casa, se quando
revelas a tua identidade
é impossível que o céu te explud...
FATIADA
-
Era o céu inteirinho que chovia, como se fosse castigo, alagando tudo em
redor.
Como se o mundo se aglomerasse para chorar, acotovelando-se na visão
catas...
Que seja eterno
-
Mas de nenhum destes modos te sei amar, tão fraco ou inábil é o meu
coração, de modo que, por o meu amor não ser perfeito, tenho de me
contentar que seja e...
Uma Alma Inquieta
-
Eu sabia há três anos que Ela me viria bater à porta a qualquer momento,
mas não sabia como seria informado da sua chegada.
Desde Maio que peço, quase dia...
sem que ele note
-
tão longe vai o tempo em que ele morria em mim. acontecia aos poucos, a
imagem dele a querer fugir do meu peito, ele a ausentar-se lentamente dos
meus ...
Tempo
-
Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era
encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A
gente ...
É isto o Amor
-
Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é ma...
Pó dos Livros
-
Setembro de 2007, abrimos as portas, e já nessa altura planava sobre nós o
abutre. Nunca passava para cá da linha da porta. No entanto, rondava de
perto...
Más poemas de Levertov (según ST)
-
Photographer unknown, provided by Jan Wallace, The Project Room
*i*
Él recoge botones de vidrio del fondo del mar.
Las branquias de la mente palpitan en...
Burrinho
-
Fui à procura de um caderno para escrever. Volto a ter vontade de
escrever. Não quero, não sou capaz, de escrever frases, textos, quero
apenas apontar as ...
o escritor enquanto cão-guia
-
Grassa, em lusas terras, já há algum tempo, o paradigma do escritor como
«cão-guia». O leitor ou leitora, pitosga ou mesmo ceguinho deverá ser
levado pela ...
tomorrow never comes (III)
-
Tentava escrever
o esboço - vestígio do corpo,
a macia semente do vento
a traço de giz
da cor do barro, da cor da nuvem carvão;
acontecia o espinho, o p...
-
Um corpo sem véu, despojado do barulho do mundo. Apenas o grão da pele para
o vestir. Um corpo nu, imóvel e cheio de estorias caóticas e cicatrizes.
Um co...
Saídas a dois
-
Estava tudo combinado para aquele final de tarde: saía do trabalho direta à
escola, entravamos juntos no carro, sorridentes e enamorados, e seguíamos
para...
-
demasiado depressa o silêncio
de braços inertes
não consigo alcançar-te
ou olhar-te sequer
nem colher a tempo tudo o que devia
(tudo o que julgo que de...
Carta a Paris 16 de Março de 2015
-
16 de Março 2015
10:07
Está frio. O céu, imenso e de um cinza quase branco, leva-me os sentidos e
a minha vontade. Ainda assim decidi ir a Paris, onde te...
1930-2015
-
não chamem logo as funerárias,
cortem-me as veias dos pulsos pra que me saibam bem morto,
medo? só que o sangue vibre ainda na garganta
e qualquer mão e ...
SANTO ANTONINHO DOS ESQUECIDOS
-
* para o José Carlos Soares*
O esquecimento tem portões
fechados e velas a acordar
o crepúsculo enquanto o vento
sop...
-
Vestiu-se de nevoeiro e foi dançar
pés de musgo
mão na anca e outra estendida no ar
gotas de chuva mansa no olhar
um peso leve
acariciando a terra húmida
em...
Espaço : se alguém disser que morri...
-
Robert & Shana Parkeharrison
*se alguém disser que morri, avança até à varanda do céu,*
*escuta a noite e recolhe o meu corpo da espuma dos planetas.*
*nã...
Sem comentários:
Enviar um comentário