OLHAR AS CAPAS
-
*O Mistério de Lisboa*
*Nuno Júdice, Maria Isabel Barreno, Sérgio Godinho, **António Ramos Rosa,
Fernando Pinto do Amaral, Mário de Carvalho, entre outr...
denise levertov / escadaria antiga
-
Passos como água escavam
as amplas curvas de pedra
século a século
subindo, descendo.
Quem pode dizer
se o último a trepar a escadaria
em viagem
descend...
Uma despedida
-
As artes performativas são as que mais visibilidade dão aos seus autores:
estar em cima de um palco a cantar, dançar ou representar trá-los
necessariamen...
César Cantoni (Aqui não há Deus)
-
AQUÍ NO HAY DIOS
Aquí no hay dios, ni griego ni romano,
que presida ninguna ceremonia.
No hay oro ni laurel para los vencedores.
Aquí no hay más...
the hill...
-
*Once with my scarf knotted over my mouth *
*I lumbered into a storm of snow up the long hill *
*and did not know where I was going except to the top of it. ...
Don McLean - By the Waters of Babylon, 1975
-
*By the waters, the waters of Babylon*
*We lay down and wept, and wept, for thee Zion*
*We remember thee, remember thee, remember thee Zion*
*By the w...
Esconder a realidade "debaixo do tapete"...
-
Há um problema muito mais grave, que os "50 anos de corrupção" dos cartazes
do senhor Ventura, é a forma como se nomeia e demite gente dos cargos
públic...
SENTIMENTO
-
Sem ti, esqueço-me de que a própria alegria
A dor e a mágoa o meu coração, consomem
A noite escura cola-se à luminosidade do dia
Esqueço até de que sou ...
-
Um corpo destes nunca se deu bem
com nenhuma religião, e chego a ouvir-me
repetir um sinto muito. Não é bem assim,
simplesmente fui perdendo a urgência,
o ...
dos dias livres
-
*está um frio do carago.*.. diz-me a dona Edith enquanto o vento corta-nos
as bochechas entramelando-nos a língua no meio da conversa, ela toda
e...
A vida dupla de Senhor João
-
Senhor João do Restaurante, quando não me está a recomendar o peixe mais
fresco da ementa, que ele bem sabe que eu não sou de comer carnes de
animais de qu...
P de "Pássaros de acaso" (II)
-
JACINTOS
Os teus jacintos ainda estão vivos
E o sopro da morte
é um voo de pombas no céu de janeiro.
André Pieyre de Mandiargues
HIGIENE PÚBLICA
-
Acordei com vontade de ser boa pessoa, mas depois passou. O nevoeiro olhou
para mim como quem sabe mais e não diz. ( Fiz café; ficou fraco, como as
minhas ...
Gato Azul, de Hagiwara Sakutaro
-
Poema de Hagiwara Sakutaro (1846-1942), poeta japonês, da sua colectânea
com o mesmo nome Aoneko (Gato Azul) de 1923. GATO AZUL É bom amar esta bela
cidade...
-
Este ano o verão atravessou Lisboa. O verão foi invisível. Atravessou a
cidade e os outros levou do meu corpo memórias do teu nome. joão miguel
fernandes j...
PELE DE PAREDE
-
Os azulejos de Gilberto Renda são pele de parede,
Os painéis de madeira, nas salas da preciosa Vila Idalina,
Os antigos papeis de parede da Casa Vermelha,
Os...
Tragédia no Mar
-
"Tragédia no Mar" é a denominação do feliz grupo escultórico de José João
Brito, visto aqui na tarde de hoje. Inspirado numa tela de Augusto Gomes, o
monum...
No meio do ruído das coisas.
-
Duas despedidas tristes: a de Paulo Tunhas (1960), filósofo, cronista,
poeta, professor; e a de Luís Carmelo (1954), romancista, professor, poeta,
ensaís...
CARLOS POÇAS FALCÃO
-
[TODOS OS DIAS VIAJO PARA A CULPA]
Todos os dias viajo para a culpa.
É lá onde trabalho, movendo e removendo
juízos e vergonhas, vergando-me nas margens
do...
ninguém conhece o infinito
-
A culpa é tua se dizes sempre
o mesmo nome
se tens sempre a mesma idade
e a mesma casa, se quando
revelas a tua identidade
é impossível que o céu te explud...
FATIADA
-
Era o céu inteirinho que chovia, como se fosse castigo, alagando tudo em
redor.
Como se o mundo se aglomerasse para chorar, acotovelando-se na visão
catas...
Que seja eterno
-
Mas de nenhum destes modos te sei amar, tão fraco ou inábil é o meu
coração, de modo que, por o meu amor não ser perfeito, tenho de me
contentar que seja e...
Uma Alma Inquieta
-
Eu sabia há três anos que Ela me viria bater à porta a qualquer momento,
mas não sabia como seria informado da sua chegada.
Desde Maio que peço, quase dia...
sem que ele note
-
tão longe vai o tempo em que ele morria em mim. acontecia aos poucos, a
imagem dele a querer fugir do meu peito, ele a ausentar-se lentamente dos
meus ...
Tempo
-
Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era
encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A
gente ...
É isto o Amor
-
Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é ma...
Pó dos Livros
-
Setembro de 2007, abrimos as portas, e já nessa altura planava sobre nós o
abutre. Nunca passava para cá da linha da porta. No entanto, rondava de
perto...
Más poemas de Levertov (según ST)
-
Photographer unknown, provided by Jan Wallace, The Project Room
*i*
Él recoge botones de vidrio del fondo del mar.
Las branquias de la mente palpitan en...
Burrinho
-
Fui à procura de um caderno para escrever. Volto a ter vontade de
escrever. Não quero, não sou capaz, de escrever frases, textos, quero
apenas apontar as ...
o escritor enquanto cão-guia
-
Grassa, em lusas terras, já há algum tempo, o paradigma do escritor como
«cão-guia». O leitor ou leitora, pitosga ou mesmo ceguinho deverá ser
levado pela ...
tomorrow never comes (III)
-
Tentava escrever
o esboço - vestígio do corpo,
a macia semente do vento
a traço de giz
da cor do barro, da cor da nuvem carvão;
acontecia o espinho, o p...
-
Um corpo sem véu, despojado do barulho do mundo. Apenas o grão da pele para
o vestir. Um corpo nu, imóvel e cheio de estorias caóticas e cicatrizes.
Um co...
Saídas a dois
-
Estava tudo combinado para aquele final de tarde: saía do trabalho direta à
escola, entravamos juntos no carro, sorridentes e enamorados, e seguíamos
para...
-
demasiado depressa o silêncio
de braços inertes
não consigo alcançar-te
ou olhar-te sequer
nem colher a tempo tudo o que devia
(tudo o que julgo que de...
Carta a Paris 16 de Março de 2015
-
16 de Março 2015
10:07
Está frio. O céu, imenso e de um cinza quase branco, leva-me os sentidos e
a minha vontade. Ainda assim decidi ir a Paris, onde te...
1930-2015
-
não chamem logo as funerárias,
cortem-me as veias dos pulsos pra que me saibam bem morto,
medo? só que o sangue vibre ainda na garganta
e qualquer mão e ...
SANTO ANTONINHO DOS ESQUECIDOS
-
* para o José Carlos Soares*
O esquecimento tem portões
fechados e velas a acordar
o crepúsculo enquanto o vento
sop...
-
Vestiu-se de nevoeiro e foi dançar
pés de musgo
mão na anca e outra estendida no ar
gotas de chuva mansa no olhar
um peso leve
acariciando a terra húmida
em...
Espaço : se alguém disser que morri...
-
Robert & Shana Parkeharrison
*se alguém disser que morri, avança até à varanda do céu,*
*escuta a noite e recolhe o meu corpo da espuma dos planetas.*
*nã...
Sem comentários:
Enviar um comentário