Abro-te a porta do poema; e tu
espreitas para dentro da estrofe, onde
um espelho te espera.
Nuno Júdice
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Avísame cuando dejes de quererme
Despedida
Avísame cuando dejes de quererme. Cuando ya no te inunden mis recuerdos, cuando se te haya escapado el olor de mi nuca y no me puedas ver corriendo por el jardín. Avisa cuando nuestras canciones solo sean música, cuando el color azul no sean mis ojos y el delantal repose desnudo en el colgador. Me bastará con que una noche, mientras nos lavamos los dientes, me preguntes ¿perdona, te conozco de algo?
OLHAR AS CAPAS
-
*Inquérito Póstumo*
*Horácio Tavares de Carvalho*
*Capa: Antunes*
*Círculo de Leitores, Lisboa, Março de 1981*
*O Echevarria é que tinha razão. A Cost...
Viajar com os livros
-
De 5 a 13 de Abril teremos o *LeV,* o festival Literatura em Viagem que se
realiza todos os anos em Matosinhos na Biblioteca Florbela Espanca e na
Galeri...
A true gem of Art Nouveau
-
* This very beautiful door was designed by the Italian architect
Pietro Fenoglio in 1907. The residents of Turin have nicknamed this door
the "Pom...
Ouço no vento a tua voz...
-
Caminhei pela noite num silêncio profundo
Apenas entregue ao eco do meu pensamento
Pensando em ti a cada passo, a cada segundo
Sentindo os teus beijos n...
zoologia...
-
*O cão de Pavlov*
*picado pela abelha de Newton*
*corre atrás do gato de Schrödinger*
*perante o olhar atento do ganso de Einstein*
*Os tentilhões de Darwin ...
Às vezes ainda escuta o grito: «Isto é tudo meu!»
-
Nem toda a gente compreende, o porquê, das pessoas com bons empregos e uma
boa vida, serem de esquerda. Acham que estes deviam ser todos
"pobrezinhos", ...
DOS SONHOS QUE NUNCA SE REALIZAM
-
Esta frase é bela e profunda. Ela carrega a ideia de que até mesmo os
sonhos que não se concretizam têm valor. Eles movem-nos, inspiram-nos,
mantêm-nos d...
OS PEIXES SONHAM COM O CÉU?
-
OS PEIXES SONHAM COM O CÉU? A criança olha o peixe morto. O peixe morto
nada nos olhos dela. Uma faca ri sem boca. As moscas pousam na bancada. A
crian...
Rafael Cadenas (Derrota)
-
DERROTA
Yo que no he tenido nunca un oficio
que ante todo competidor me he sentido débil
que perdí los mejores títulos para la vida
que apenas lleg...
O dia da verdade provisória
-
Há dias em que escrever é um risco calculado; o primeiro de Abril exige
perícia adicional. Não basta evitar a mentira — é preciso evitar que a
verdade pare...
Tempo
-
Há muito tempo que não acontecia. Aquela semana teve pelo menos 20 dias.
Depois disso, a mulher entra sorrateiramente na madrugada da segunda-feira,...
Gato Azul, de Hagiwara Sakutaro
-
Poema de Hagiwara Sakutaro (1846-1942), poeta japonês, da sua colectânea
com o mesmo nome Aoneko (Gato Azul) de 1923. GATO AZUL É bom amar esta bela
cidade...
-
Este ano o verão atravessou Lisboa. O verão foi invisível. Atravessou a
cidade e os outros levou do meu corpo memórias do teu nome. joão miguel
fernandes j...
PELE DE PAREDE
-
Os azulejos de Gilberto Renda são pele de parede,
Os painéis de madeira, nas salas da preciosa Vila Idalina,
Os antigos papeis de parede da Casa Vermelha,
Os...
Tragédia no Mar
-
"Tragédia no Mar" é a denominação do feliz grupo escultórico de José João
Brito, visto aqui na tarde de hoje. Inspirado numa tela de Augusto Gomes, o
monum...
No meio do ruído das coisas.
-
Duas despedidas tristes: a de Paulo Tunhas (1960), filósofo, cronista,
poeta, professor; e a de Luís Carmelo (1954), romancista, professor, poeta,
ensaís...
CARLOS POÇAS FALCÃO
-
[TODOS OS DIAS VIAJO PARA A CULPA]
Todos os dias viajo para a culpa.
É lá onde trabalho, movendo e removendo
juízos e vergonhas, vergando-me nas margens
do...
ninguém conhece o infinito
-
A culpa é tua se dizes sempre
o mesmo nome
se tens sempre a mesma idade
e a mesma casa, se quando
revelas a tua identidade
é impossível que o céu te explud...
FATIADA
-
Era o céu inteirinho que chovia, como se fosse castigo, alagando tudo em
redor.
Como se o mundo se aglomerasse para chorar, acotovelando-se na visão
catas...
POEMAS DE MARGARET RANDALL
-
Foto de Robert Giard, 1998.
*Sospecha y parábolas vacías*
Viajamos a alguna parte
pero no tenemos mapa.
Las líneas de mi palma relucen
como corriente el...
Que seja eterno
-
Mas de nenhum destes modos te sei amar, tão fraco ou inábil é o meu
coração, de modo que, por o meu amor não ser perfeito, tenho de me
contentar que seja e...
Uma Alma Inquieta
-
Eu sabia há três anos que Ela me viria bater à porta a qualquer momento,
mas não sabia como seria informado da sua chegada.
Desde Maio que peço, quase dia...
sem que ele note
-
tão longe vai o tempo em que ele morria em mim. acontecia aos poucos, a
imagem dele a querer fugir do meu peito, ele a ausentar-se lentamente dos
meus ...
Tempo
-
Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era
encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A
gente ...
É isto o Amor
-
Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é ma...
Pó dos Livros
-
Setembro de 2007, abrimos as portas, e já nessa altura planava sobre nós o
abutre. Nunca passava para cá da linha da porta. No entanto, rondava de
perto...
Burrinho
-
Fui à procura de um caderno para escrever. Volto a ter vontade de
escrever. Não quero, não sou capaz, de escrever frases, textos, quero
apenas apontar as ...
o escritor enquanto cão-guia
-
Grassa, em lusas terras, já há algum tempo, o paradigma do escritor como
«cão-guia». O leitor ou leitora, pitosga ou mesmo ceguinho deverá ser
levado pela ...
tomorrow never comes (III)
-
Tentava escrever
o esboço - vestígio do corpo,
a macia semente do vento
a traço de giz
da cor do barro, da cor da nuvem carvão;
acontecia o espinho, o p...
-
Um corpo sem véu, despojado do barulho do mundo. Apenas o grão da pele para
o vestir. Um corpo nu, imóvel e cheio de estorias caóticas e cicatrizes.
Um co...
Saídas a dois
-
Estava tudo combinado para aquele final de tarde: saía do trabalho direta à
escola, entravamos juntos no carro, sorridentes e enamorados, e seguíamos
para...
-
demasiado depressa o silêncio
de braços inertes
não consigo alcançar-te
ou olhar-te sequer
nem colher a tempo tudo o que devia
(tudo o que julgo que de...
Carta a Paris 16 de Março de 2015
-
16 de Março 2015
10:07
Está frio. O céu, imenso e de um cinza quase branco, leva-me os sentidos e
a minha vontade. Ainda assim decidi ir a Paris, onde te...
1930-2015
-
não chamem logo as funerárias,
cortem-me as veias dos pulsos pra que me saibam bem morto,
medo? só que o sangue vibre ainda na garganta
e qualquer mão e ...
SANTO ANTONINHO DOS ESQUECIDOS
-
* para o José Carlos Soares*
O esquecimento tem portões
fechados e velas a acordar
o crepúsculo enquanto o vento
sop...
-
Vestiu-se de nevoeiro e foi dançar
pés de musgo
mão na anca e outra estendida no ar
gotas de chuva mansa no olhar
um peso leve
acariciando a terra húmida
em...
Espaço : se alguém disser que morri...
-
Robert & Shana Parkeharrison
*se alguém disser que morri, avança até à varanda do céu,*
*escuta a noite e recolhe o meu corpo da espuma dos planetas.*
*nã...
O espanhol é uma língua muito forte, Ana.
ResponderEliminarBasta lermos esta frase alto...
é verdade Luís, concordo plenamente. boa noite
Eliminar