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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Eu não sou dessas mulheres











Eu não sou dessas mulheres
 incapazes de amor e ternura. 
Eu sei o que é coragem e sangue,
 embora odeie o sacrifício e me repugne 
a vaidade que nasce da violência. 
Quero ser mulher de um mercenário, 
de um poeta ou de um mártir, é igual.
 Eu sei fitar os olhos dos homens, 
sei quem merece a minha ternura. 




 Amalia Bautista









quinta-feira, 25 de outubro de 2018

é tão bonito













Conta-mo outra vez: é tão bonito
que não me canso nunca de escutá-lo.
Repete-me, uma vez mais, que o par
do conto foi feliz até à morte,
que ela não lhe foi infiel, que ele nem sequer
pensou em enganá-la. E não te esqueças
de que, apesar do tempo e dos problemas,
continuavam cada noite a beijar-se.
Conta-mo mil vezes, se faz favor:
é a história mais bela que conheço.




Amalia Bautista










sábado, 14 de abril de 2018

não percas pé














Todos os dias digo, sussurrando,
mantém o equilíbrio. Tudo espreita,
tudo assusta, a vida inteira pende-te
de um frágil fio e de uma sorte injusta.
A tua vontade não pode muito.
Não percas pé. Mantém o equilíbrio.




Amalia Bautista











sábado, 3 de junho de 2017

um fio transparente

















Sempre acreditei que só as palavras
me saíam da boca, e eram elas
que me podiam adiar a morte.
Hoje sei que me sai da boca um fio,
transparente e tenaz como uma insónia,
que te atou à minha vida para sempre.




Amalia Bautista
















domingo, 5 de julho de 2015

E tu tão longe























E tu tão longe
e tão dentro de mim, tão invasivo.
E esta chuva
que ameaça dissolver toda a terra
e tornar tudo mar, o meu pesadelo.
E de repente todas as distâncias
se tornam infinitas,
como se só o louco mais malvado
as pudesse ter concebido.




amália bautista























sábado, 11 de janeiro de 2014

nunca saberemos



















Nunca saberemos se os enganados
são os sentidos ou os sentimentos,
se viaja o comboio ou a nossa vontade
se as cidades mudam de lugar
ou se todas as casas são a mesma.
Nunca saberemos se quem nos espera
é quem nos deve esperar, nem sequer
quem temos de aguardar no meio
de um cais frio. Não sabemos nada.
Avançamos às cegas e duvidamos
se isto que se parece com a alegria
é só o sinal definitivo
de que nos voltámos a enganar.





Amalia Bautista














quarta-feira, 5 de junho de 2013

a alma toda

















Trago à flor da pele as coisas que devia esconder, o mais íntimo e sombrio.
Podeis ver o meu esqueleto e não só, também trago à flor da pele a alma toda.





Amalia Bautista













quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

afogadas de silêncio


















Dizes que me amas de uma tal forma,
que não consigo deixar de corar;
que me amas de um modo primitivo,
sem razão aparente e sem desculpas
e que me amas porque me desejas,
porque sabes que eu também te amo
e como o monstro deste amor nos devora
a alma, a paciência e as maneiras.
É uma pena que todas estas coisas
morram em nós afogadas de silêncio.



Amalia Bautista










domingo, 28 de agosto de 2011

Julgava que te tinha dito adeus
























Julgava que te tinha dito adeus,
um adeus contundente, ao deitar-me,
quando pude por fim fechar os olhos,
esquecer-me de ti, dessas argúcias,
dessa tua insistência, teu mau génio,
tua capacidade de anular-me.
Julgava que te tinha dito adeus
de todo e para sempre, mas acordo,
encontro-te de novo junto a mim,
dentro de mim, rodeias-me, a meu lado,
invades-me, afogas-me, diante
dos meus olhos, em frente à minha vida,
por sob a minha sombra, nas entranhas,
em cada golpe do meu sangue, entras
por meu nariz quando respiro, vês
pelas minhas pupilas, lanças fogo
nas palavras que minha boca diz.
E agora que faço?, como posso
desterrar-te de mim ou adaptar-me
a conviver contigo? Principie-se
por demonstrar maneiras impecáveis.
Bom dia, tristeza.







Amalia Bautista












sexta-feira, 28 de maio de 2010

são poucas as palavras que nos doem de verdade
























No fim de contas são poucas as palavras
que nos doem de verdade, e muito poucas
as que conseguem alegrar a alma.
E são também muito poucas as pessoas
que nos fazem bater o coração, e menos
ainda com o correr do tempo.
No fim de contas, são pouquíssimas as coisas
que na verdade importam nesta vida:
poder amar alguém e ser amado,
não morrer depois dos nossoa filhos.







 

Amalia Bautista











quinta-feira, 27 de maio de 2010

tres deseos















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Pide tres deseos









Ver el alba contigo,
ver contigo la noche,
y ver de novo el alba
en la luz de tus ojos.












Amalia Bautista











quarta-feira, 5 de maio de 2010

...eu sentia a pele a rasgar-se como trapos...























No primeiro dia que saí contigo
disseste que o teu trabalho era estranho.
Mais nada. Todavia, eu sentia
a pele a rasgar-se como trapos
de cada vez que me tocavas com a mão.
E os teus olhos pareciam-me punhais
a fazer-me doer os meus.
Daí para a frente foi sempre a mesma coisa:
tu orgulhavas-te da tua arte,
mais subtil e directo em cada dia
e eu nunca percebia nada.
Mas agora sei.
Já conheço o teu ofício:
Atirador de facas.
A mais certeira atiraste-ma ao coração.













Amalia Bautista










quarta-feira, 28 de abril de 2010

coisas desnecessárias


































Conduzir mas sem ter um acidente,
comprar massas e desodorizantes
e cortar as unhas às minhas filhas.
Madrugar outra vez e ter cuidado
em não dizer inconveniências,
esmerar-me na prosa de umas folhas
e estou-me nas tintas para elas,
retocar de vermelho cada face.
Lembrar-me da consulta ao pediatra,
responder ao correio, estender roupa,
declarar rendimentos, ler uns livros,
fazer umas chamadas telefónicas.
Bem gostaria de me dar ao luxo
de ter o tempo todo que quisesse
para fazer só coisas esquisitas,
coisas desnecessárias, prescindíveis
e, sobretudo, inúteis e patetas.
Por exemplo, amar-te com loucura.








amelia bautista





algures daqui

















sábado, 1 de agosto de 2009

yo cruzaré ese puente



«Si me dicen que estás al otro lado
de un puente, por extraño que parezca
que estés al otro lado y que me esperes,
yo cruzaré ese puente.
Dime cuál es el puente que separa
tu vida de la mía,
en qué hora negra, en qué ciudad lluviosa,
en qué mundo sin luz está ese puente,
y yo lo cruzaré.»







Amalia Bautista