sexta-feira, 5 de maio de 2017

eu sem saber o que fazer comigo













Havia um tempo em que esperar por ti
era consulta a meteorologia: 
preparar coração, achar ali, 
na coluna do lado, em geografia

de página, ou écran: coisa parecida
o sol bem desenhado, os raios com
a palavra por baixo, indicativa
de que amanhã o tempo ia ser bom.

Mas não era a palavra, era o ruído, 
eu sem saber o que fazer comigo, 
e o sol, caracol longo a demorar-

-se - assim era ele oblíquo de rimar;
porque eu sabia que o que ali rimava 
estava em saber que vinhas. E ficavas.






Ana Luísa Amaral


















8 comentários:

  1. Ainda agora desapareceu e já me deixou tantas saudades... o Sol...

    ResponderEliminar
  2. Tantas vezes que não sabemos o que fazer de nós...

    Com e sem sol...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Hoje não sei, Luís.
      Bom fim de semana :)

      Eliminar
  3. Estavas sempre a chegar
    nunca mais acabavas de chegar
    Bj

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estavas sempre a partir
      Nunca mais acabavas de partir...

      Eliminar
  4. futurologia é arte ou sacanice, não é ciência

    ResponderEliminar