Eduardo Moga (Os haykus do cego e do cão)
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LOS HAIKÚS DEL CIEGO Y EL PERRO
El ciego mete
al lánguido mastín
bajo el asiento.
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El perro quiere
salir, pero el ciego
es inflexible.
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El ciego...
POSTAIS SEM SELO
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*O que há num nome? Aquilo a que chamamos rosa com qualquer outro nome
teria o mesmo cheiro doce.*
*William Shakespeare em Romeu e Julieta.*
Estava ali no cais à espera e reparei que...
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Estava parado no cais de embarque dos cacilheiros, à espera que chegasse
uma barca, que atravessasse o Tejo e me levasse até Cacilhas, quando
reparei nu...
Max von Schmaedel - Milchmädchen und Gärtner
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* It describes a quiet pastoral encounter between a young milkmaid and
a gardener, set within a sunlit rural landscape. The figures are rendered
w...
billy collins / o aprendiz
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O meu livro e ensinamentos poéticos,
comprado numa banca ao ar livre junto ao rio,
apresenta muitas regras
sobre o que escrever e não escrever.
Mais...
O que ando a ler
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Ando a ler devagar, porque se trata de um texto longo e denso, o livro que
foi considerado o n.º 1 pela maioria dos jornais portugueses no balanço do
ano...
Não estamos no Japão
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Se chegas em cima da hora, já chegas atrasado. Isto, leitora, aprendi num
livro sobre a cultura japonesa, observada por um escocês que por lá viveu
uns ano...
E SE HOUVESSE UM EMPATE?
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Não sou jurista. Infelizmente. Mas tentei, com os meus limites, averiguar o
que se passaria em Portugal, se na segunda, houvesse um empate. Como o
nosso ...
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Mas se um dia voltares, Nému, acorda-me, como inesperadamente me acordaste
uma noite. Não me deixes dormir mais, desperta-me e tudo se iluminará num
gesto,...
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Primeiro, é claro, temos medo,
felizmente não faltam a este mundo
substâncias variações partículas dançantes
ritmos revirando as formas, e que atravessam ...
frio
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chego a casa.
está frio lá fora.
acendo a lareira em tempo record.
ponho o meu jantar na mesa, frio, acabado de sair do frigorífico. tenho ...
SENTIMENTO
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Sem ti, esqueço-me de que a própria alegria
A dor e a mágoa o meu coração, consomem
A noite escura cola-se à luminosidade do dia
Esqueço até de que sou ...
P de "Pássaros de acaso" (II)
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JACINTOS
Os teus jacintos ainda estão vivos
E o sopro da morte
é um voo de pombas no céu de janeiro.
André Pieyre de Mandiargues
Gato Azul, de Hagiwara Sakutaro
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Poema de Hagiwara Sakutaro (1846-1942), poeta japonês, da sua colectânea
com o mesmo nome Aoneko (Gato Azul) de 1923. GATO AZUL É bom amar esta bela
cidade...
PELE DE PAREDE
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Os azulejos de Gilberto Renda são pele de parede,
Os painéis de madeira, nas salas da preciosa Vila Idalina,
Os antigos papeis de parede da Casa Vermelha,
Os...
Tragédia no Mar
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"Tragédia no Mar" é a denominação do feliz grupo escultórico de José João
Brito, visto aqui na tarde de hoje. Inspirado numa tela de Augusto Gomes, o
monum...
No meio do ruído das coisas.
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Duas despedidas tristes: a de Paulo Tunhas (1960), filósofo, cronista,
poeta, professor; e a de Luís Carmelo (1954), romancista, professor, poeta,
ensaís...
CARLOS POÇAS FALCÃO
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[TODOS OS DIAS VIAJO PARA A CULPA]
Todos os dias viajo para a culpa.
É lá onde trabalho, movendo e removendo
juízos e vergonhas, vergando-me nas margens
do...
ninguém conhece o infinito
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A culpa é tua se dizes sempre
o mesmo nome
se tens sempre a mesma idade
e a mesma casa, se quando
revelas a tua identidade
é impossível que o céu te explud...
FATIADA
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Era o céu inteirinho que chovia, como se fosse castigo, alagando tudo em
redor.
Como se o mundo se aglomerasse para chorar, acotovelando-se na visão
catas...
Que seja eterno
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Mas de nenhum destes modos te sei amar, tão fraco ou inábil é o meu
coração, de modo que, por o meu amor não ser perfeito, tenho de me
contentar que seja e...
Uma Alma Inquieta
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Eu sabia há três anos que Ela me viria bater à porta a qualquer momento,
mas não sabia como seria informado da sua chegada.
Desde Maio que peço, quase dia...
sem que ele note
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tão longe vai o tempo em que ele morria em mim. acontecia aos poucos, a
imagem dele a querer fugir do meu peito, ele a ausentar-se lentamente dos
meus ...
Tempo
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Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era
encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A
gente ...
É isto o Amor
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Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é ma...
Pó dos Livros
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Setembro de 2007, abrimos as portas, e já nessa altura planava sobre nós o
abutre. Nunca passava para cá da linha da porta. No entanto, rondava de
perto...
Más poemas de Levertov (según ST)
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Photographer unknown, provided by Jan Wallace, The Project Room
*i*
Él recoge botones de vidrio del fondo del mar.
Las branquias de la mente palpitan en...
Burrinho
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Fui à procura de um caderno para escrever. Volto a ter vontade de
escrever. Não quero, não sou capaz, de escrever frases, textos, quero
apenas apontar as ...
o escritor enquanto cão-guia
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Grassa, em lusas terras, já há algum tempo, o paradigma do escritor como
«cão-guia». O leitor ou leitora, pitosga ou mesmo ceguinho deverá ser
levado pela ...
tomorrow never comes (III)
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Tentava escrever
o esboço - vestígio do corpo,
a macia semente do vento
a traço de giz
da cor do barro, da cor da nuvem carvão;
acontecia o espinho, o p...
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Um corpo sem véu, despojado do barulho do mundo. Apenas o grão da pele para
o vestir. Um corpo nu, imóvel e cheio de estorias caóticas e cicatrizes.
Um co...
Saídas a dois
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Estava tudo combinado para aquele final de tarde: saía do trabalho direta à
escola, entravamos juntos no carro, sorridentes e enamorados, e seguíamos
para...
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demasiado depressa o silêncio
de braços inertes
não consigo alcançar-te
ou olhar-te sequer
nem colher a tempo tudo o que devia
(tudo o que julgo que de...
Carta a Paris 16 de Março de 2015
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16 de Março 2015
10:07
Está frio. O céu, imenso e de um cinza quase branco, leva-me os sentidos e
a minha vontade. Ainda assim decidi ir a Paris, onde te...
1930-2015
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não chamem logo as funerárias,
cortem-me as veias dos pulsos pra que me saibam bem morto,
medo? só que o sangue vibre ainda na garganta
e qualquer mão e ...
SANTO ANTONINHO DOS ESQUECIDOS
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* para o José Carlos Soares*
O esquecimento tem portões
fechados e velas a acordar
o crepúsculo enquanto o vento
sop...
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Vestiu-se de nevoeiro e foi dançar
pés de musgo
mão na anca e outra estendida no ar
gotas de chuva mansa no olhar
um peso leve
acariciando a terra húmida
em...
Espaço : se alguém disser que morri...
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Robert & Shana Parkeharrison
*se alguém disser que morri, avança até à varanda do céu,*
*escuta a noite e recolhe o meu corpo da espuma dos planetas.*
*nã...
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