quinta-feira, 3 de junho de 2010

enquanto te espero






































enquanto te espero
derretem-se as horas
mulheres de Maio tecem véus de viúva
vêm depois os pessegueiros
e tudo é violeta

ponho a mesa à sombra do sorriso
e começo a servir minutos de prata
vem o vinho maduro
colheita especial da saudade
vem a noite suculenta
regada de ervas de alma picada
e nada me prende

enquanto te espero
partem novos barcos

e eu sem leme sem ti para vencer este monstro
este quarto este ocidente isolado.














Isabel Mendes Ferreira













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