TRUMPALHADAS
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*O mundo entregue a loucos, a assassinos, a aldrabões.*
*Na noite de ontem o louco presidente norte-americano avisou que uma
civilização inteira iria m...
John Denver - Back Home Again
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*There's a storm across the valley clouds are rolling in*
*The afternoon is heavy on your shoulders*
*There's a truck out on the four lane a mile or m...
josé gomes ferreira / cidade inexacta
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XXIX
O segredo
está em não deixar o tempo devorar-me,
mas devorá-lo eu
com dentes de terra
e medo.
Mastigar tudo,
as sombras, as bocas,
as pedras,
o...
Na final
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Há tempos escrevi aqui um *post* sobre ter vários autores meus entre os
candidatos a um prémio da Livraria Bertrand e não poder votar senão num
deles, pr...
Javier Olalde (Voltou a chuva)
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VOLVIÓ LA LLUVIA
Mi sentimiento es un crepúsculo de plomo
mojado,
desleído entre las luces de las calles
por las que no regresas
a esta casa de c...
(da) matéria-prima...
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*Trabalho a partir da existência da luz *
*E de certos minerais *
*Mesmo se não mereço a matéria luminosa *
*Da terra soprada donde o homem vem. A ânfora, o ...
Derrocadas
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Acima de tudo, a guerra de que ouvimos o rufar dos tambores cada vez mais
ensurdecedor, causa a angústia adicional de, lá no fundo, sentirmos que os
que de...
Continuar a por aí andar com livros na mão...
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Normalmente não ando com livros na mão, quando os levo comigo para me
fazerem companhia de viagem (às vezes mesmo as curtas de cacilheiro...) vão
na moc...
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Se não nos dão mais, do nada ainda
arrancamos um escarro, cuspimos-lhes
em cima, ah, já nos sabe a qualquer coisa,
serve, pomo-nos à escuta, o menor som,
es...
Viver feliz, apesar da guerra
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Viver feliz em tempos de guerra — mesmo quando ela acontece longe — não é
ignorar a dor do mundo. É escolher, conscientemente, não deixar que o medo
ocup...
peito
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naquele sítio onde se vê os interiores de quem por lá passa, a assistente
pergunta com delicadeza:
toma alguma medicação?
*olhe, tomo prás tensões...
Gato Azul, de Hagiwara Sakutaro
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Poema de Hagiwara Sakutaro (1846-1942), poeta japonês, da sua colectânea
com o mesmo nome Aoneko (Gato Azul) de 1923. GATO AZUL É bom amar esta bela
cidade...
PELE DE PAREDE
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Os azulejos de Gilberto Renda são pele de parede,
Os painéis de madeira, nas salas da preciosa Vila Idalina,
Os antigos papeis de parede da Casa Vermelha,
Os...
Tragédia no Mar
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"Tragédia no Mar" é a denominação do feliz grupo escultórico de José João
Brito, visto aqui na tarde de hoje. Inspirado numa tela de Augusto Gomes, o
monum...
No meio do ruído das coisas.
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Duas despedidas tristes: a de Paulo Tunhas (1960), filósofo, cronista,
poeta, professor; e a de Luís Carmelo (1954), romancista, professor, poeta,
ensaís...
CARLOS POÇAS FALCÃO
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[TODOS OS DIAS VIAJO PARA A CULPA]
Todos os dias viajo para a culpa.
É lá onde trabalho, movendo e removendo
juízos e vergonhas, vergando-me nas margens
do...
ninguém conhece o infinito
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A culpa é tua se dizes sempre
o mesmo nome
se tens sempre a mesma idade
e a mesma casa, se quando
revelas a tua identidade
é impossível que o céu te explud...
FATIADA
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Era o céu inteirinho que chovia, como se fosse castigo, alagando tudo em
redor.
Como se o mundo se aglomerasse para chorar, acotovelando-se na visão
catas...
Que seja eterno
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Mas de nenhum destes modos te sei amar, tão fraco ou inábil é o meu
coração, de modo que, por o meu amor não ser perfeito, tenho de me
contentar que seja e...
Uma Alma Inquieta
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Eu sabia há três anos que Ela me viria bater à porta a qualquer momento,
mas não sabia como seria informado da sua chegada.
Desde Maio que peço, quase dia...
sem que ele note
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tão longe vai o tempo em que ele morria em mim. acontecia aos poucos, a
imagem dele a querer fugir do meu peito, ele a ausentar-se lentamente dos
meus ...
Tempo
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Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era
encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A
gente ...
É isto o Amor
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Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é ma...
Pó dos Livros
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Setembro de 2007, abrimos as portas, e já nessa altura planava sobre nós o
abutre. Nunca passava para cá da linha da porta. No entanto, rondava de
perto...
Más poemas de Levertov (según ST)
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Photographer unknown, provided by Jan Wallace, The Project Room
*i*
Él recoge botones de vidrio del fondo del mar.
Las branquias de la mente palpitan en...
Burrinho
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Fui à procura de um caderno para escrever. Volto a ter vontade de
escrever. Não quero, não sou capaz, de escrever frases, textos, quero
apenas apontar as ...
o escritor enquanto cão-guia
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Grassa, em lusas terras, já há algum tempo, o paradigma do escritor como
«cão-guia». O leitor ou leitora, pitosga ou mesmo ceguinho deverá ser
levado pela ...
tomorrow never comes (III)
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Tentava escrever
o esboço - vestígio do corpo,
a macia semente do vento
a traço de giz
da cor do barro, da cor da nuvem carvão;
acontecia o espinho, o p...
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Um corpo sem véu, despojado do barulho do mundo. Apenas o grão da pele para
o vestir. Um corpo nu, imóvel e cheio de estorias caóticas e cicatrizes.
Um co...
Saídas a dois
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Estava tudo combinado para aquele final de tarde: saía do trabalho direta à
escola, entravamos juntos no carro, sorridentes e enamorados, e seguíamos
para...
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demasiado depressa o silêncio
de braços inertes
não consigo alcançar-te
ou olhar-te sequer
nem colher a tempo tudo o que devia
(tudo o que julgo que de...
Carta a Paris 16 de Março de 2015
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16 de Março 2015
10:07
Está frio. O céu, imenso e de um cinza quase branco, leva-me os sentidos e
a minha vontade. Ainda assim decidi ir a Paris, onde te...
1930-2015
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não chamem logo as funerárias,
cortem-me as veias dos pulsos pra que me saibam bem morto,
medo? só que o sangue vibre ainda na garganta
e qualquer mão e ...
SANTO ANTONINHO DOS ESQUECIDOS
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* para o José Carlos Soares*
O esquecimento tem portões
fechados e velas a acordar
o crepúsculo enquanto o vento
sop...
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Vestiu-se de nevoeiro e foi dançar
pés de musgo
mão na anca e outra estendida no ar
gotas de chuva mansa no olhar
um peso leve
acariciando a terra húmida
em...
Espaço : se alguém disser que morri...
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Robert & Shana Parkeharrison
*se alguém disser que morri, avança até à varanda do céu,*
*escuta a noite e recolhe o meu corpo da espuma dos planetas.*
*nã...
Adorei a fotografia. Posso "roubar"?
ResponderEliminarclaro, aqui pode-se roubar tudo :)
ResponderEliminareu roubei a frase. :)
ResponderEliminarcerteira, como sempre. *
eu sei, ainda bem, Vanessa :))
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