sábado, 15 de maio de 2010

mas parto





































O meu mundo tem estado à tua espera; mas
não há flores nas jarras, nem velas sobre a mesa,
nem retratos escondidos no fundo das gavetas. Sei
que um poema se escreveria entre nós dois; mas
não comprei o vinho, não mudei os lençóis,
não perfumei o decote do vestido.
Se ouço falar de ti, comove-me o teu nome
(mas nem pensar em suspirá-lo ao teu ouvido);
se me dizem que vens, o corpo é uma fogueira –
estalam-me brasas no peito, desvairadas, e respiro
com a violência de um incêndio; mas parto
antes de saber como seria. Não me perguntes
porque se mata o sol na lâmina dos dias
e o meu mundo continua à tua espera:
houve sempre coisas de esguelha nas paisagens
e amores imperfeitos – Deus tem as mãos grandes











de Maria do Rosário Pedreira 














4 comentários:

  1. E é um apena que partas sempre... e os amores não se querem perfeitos... ou querem?

    "Escrevi o teu nome em todos os lugares,
    procurei-te sem fim nos dias mais incertos,
    tive sede de ti na solidão dos bares
    e fome do teu corpo em todos os desertos.

    Fui soldado e lutei em busca do teu rosto,
    que vi impresso a fogo em todas as esquinas.
    Deixei que me queimasse a dor do sol de Agosto
    e mergulhei sem medo em plagas submarinas.

    Para te ter venci as longas avenidas
    de todas as cidades que ninguém ousou.
    E por ti viverei largos anos de vida
    na ânsia de te dar tudo o que tenho e sou."

    Torquato da Luz

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  2. não, os amores não se querem perfeitos, aliás eu acho que não quero nada perfeito

    e sim, vou partindo, como tu Vasco (teu), partindo

    (Torquato da Luz, ainda não tinhas mandado:))

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